10/17/13
10/16/13
a encenar o
primórdio desejo
mede o remanso
taurino
eco de prisão
ao deus através
do ventre
tal qual o resto,
trâmite aos mortais
tua égide afronta
a garganta
sob o pomo
peremptório do simulacro
agora venta o
âmnio
pelas ruas
narrativas do
proteico
resistindo aos
vastos
as negras
receitas, os tumores váticos
azeitando as
máquinas
a geometria
do desterro
na minha testa
tem videiras
dentro dançam a
névoa
e a rima da
memória
leonardo
chioda
10/15/13
Adoro essa paixão absurda que tens por Hitchcock,
o ar despenteado com que chegas a casa e me dizes:
outra vez sopa de nabos; adoro a impaciência com
que me arrancas aos diálogos com o nada, quando
me contas os teus feitos na república do frio; adoro
a tua insónia, os teus escrúpulos morais, a tua esponja
de banho, o teu espírito lavado por agudos desenganos;
outrossim acompanhar-te nas perguntas sublinhadas
pelo tempo, e o teu corpo possuído pela mágica
da música amorosa, quando dança seminu à minha
frente e eu só penso: que bem feito está o mundo.
josé miguel silva
Até a data o poema favorito da Esther
O mostrengo
que está no fim do mar
Na noite
de breu ergueu-se a voar;
À
roda da nau voou trez vezes,
Voou
trez vezes a chiar,
E disse:
«Quem é que ousou entrar
Nas
minhas cavernas que não desvendo,
Meus
tectos negros do fim do mundo?»
E o
homem do leme disse, tremendo:
«El-rei
D. João Segundo!»
«De
quem são as velas onde me roço?
De
quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse
o mostrengo, e rodou trez vezes,
Trez
vezes rodou immundo e grosso.
«Quem
vem poder o que só eu posso,
Que
moro onde nunca ninguém me visse
E escorro
os medos do mar sem fundo?»
E o
homem do leme tremeu, e disse:
«El-rei
D. João Segundo!»
Trez
vezes do leme as mãos ergueu,
Trez
vezes ao leme as reprendeu,
E disse
no fim de tremer trez vezes:
«Aqui
ao leme sou mais do que eu:
Sou
um povo que quere o mar que é teu;
E mais
que o mostrengo, que me a alma teme
E roda
nas trevas do fim do mundo,
Manda
a vontade, que me ata ao leme,
D' El-rei
D. João Segundo!»
Fernando Pessoa
10/14/13
As mãos são pequenos lugares comuns
como a cama o sofá o banco do jardim
geograficamente não estamos imunes ao desastre
é capaz de estar escrito que partirei o coração
duas ou três vezes
ou talvez a sobreposição de linhas apenas indique
arritmias
e algum stress
por via das dúvidas
é melhor vigiar as mãos
traze-las sempre à luz dos candeeiros
antes da escolha do caminho
Ana Caeiro
como a cama o sofá o banco do jardim
geograficamente não estamos imunes ao desastre
é capaz de estar escrito que partirei o coração
duas ou três vezes
ou talvez a sobreposição de linhas apenas indique
arritmias
e algum stress
por via das dúvidas
é melhor vigiar as mãos
traze-las sempre à luz dos candeeiros
antes da escolha do caminho
Ana Caeiro
A fidelidade das palavras
já não sonho com ela, vão
e vêem, fogem, troçam,
que terias, se não fôssemos nós,
na tua boca branca de calcário, na tua
língua seca, elas zumbem, sibilam,
até eu lhes dizer, a essas traidoras,
sonoras, ciciadas, mudas, que seríeis
vós se eu não insistisse
em seguir-vos o rasto leviano?
hans-ulrich treichel
10/12/13
Subscribe to:
Posts (Atom)











