9/26/13
E saber que posso transmigrar
é bom - se de repente me apetece
o lugar de um outro lugar
não tal qual o imagino, não esse
se à face de um soneto tenho medo
de tudo conjugar em desalinho
a vida, o amor, qualquer enredo
à memória ergo um copo de vinho
A vida pede demoras que não tens
percalços se os tiveres cuida-os bem
dos meus, aqui te digo, eu cuidarei
Pois meus amigos se o que disse
para vós não tiver sentido
digam-me. Hoje, sou toda ouvidos.
Helga Moreira
Há cidades acesas na distância,
Magnéticas e fundas como luas,
Descampados em flor e negras ruas
Cheias de exaltação e ressonância.
Há cidades cujo lume
Destrói a insegurança dos meus passos,
E o anjo do real abre os seus braços
Em nardos que me matam de perfume.
E eu tenho de partir para saber
Quem sou, para saber qual é o nome
Do profundo existir que me consome
Neste país de névoa e de não ser.
sophia de mello
breyner andresen
9/22/13
9/18/13
um dia destes tenho o dia inteiro para morrer,
espero que me não doa,
um dia destes em todas as partes do corpo,
onde por enquanto ninguém sabe de que maneira,
um dia inteiro para morrer completamente,
quando a fruta com seus muitos vagares amadura,
o dom ─ que é um toque fundo na
ferida da inteligência:
¿oh será que um poema entre todos pode ser absoluto?
:escrevê-lo, e ele ser a nossa morte na perfeição de poucas
linhas
h.h.
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