Mau sinal, mau
sinal, Tejo.
Má hora, Tejo,
aquela em que passei sem olhar para onde estavas.
Preciso dum
grande dia a sós contigo, Tejo,
levado nos teus
braços,
debruçado sobre a
cor profunda das tuas águas,
embriagado do teu
vento que varre como um hino de vitória
as doenças da
cidade triste e dos homens acabrunhados...
Preciso dum
grande dia a sós contigo, Tejo,
para me lavar do
que deve andar de impuro dentro de mim,
para os meus
olhos beberem a tua força de luxo indomável,
para me lavar do
contágio que deve andar a envenenar-me
dos homens que
não sabem olhar para ti e sorrir à vida,
para que nunca
mais, Tejo, os meus olhos possam voltar-se para outro lado
quando tiverem
diante de si a tua grandeza, Tejo,
mais bela que
qualquer sonho,
porque é real,
concreta, e única!
adolfo
casais monteiro