7/16/13

Let everything happen to you: beauty and terror. Just keep going. No feeling is final.

  Rainer Maria Rilke

7/15/13

O amor apoia-se no seu próprio êxtase.
h.h.

as quimeras da combustão.


um dia destes foi tarde demais.

os senhores não percebem nada de destruições, lamento.

a vida tal como a conhecemos


7/11/13

Fechar algumas portas de saída.
À rua de seda, ao pátio concentrado em si,
à sombra generosa que fareja nos jasmins,
à facilidade, à dificuldade,
à neve enlameada que dorme no teu desejo.
luís muñoz

7/10/13

28 semanas

7 meses e ainda nao fizemos nenhum curso para limpar pipis... seremos maus pais?

7/5/13

Lady lazarus

Voltei a fazê-lo.
Uma vez em cada dez anos
Lá consigo —
Uma espécie de milagre ambulante, a minha pele
Brilhante como a de um candeeiro nazi,
O meu pé direito
Um pisa-papéis,
O meu rosto vulgar, fino
E de judia cepa.
Apaga-me da toalha
Oh, inimigo meu.
Meto medo a alguém?
O nariz, as covas dos olhos, os dentes todos?
O hálito acre
Desaparecerá um dia.
Daqui a pouco, daqui a pouco a carne
Que a sepultura comeu ficará
À vontade comigo como se em sua casa.
Mas eu sou uma mulher optimista.
Só tenho trinta anos.
E como os gatos tenho sete vidas para viver.
Esta é a Número Três.
Que porcaria de vida
A aniquilar todos os dez anos.
Quantos milhões de filamentos.
Uma multidão a roer amendoins
Empurra-se para ver
Sôfregos a despirem-me
Que fantástico strip tease.
Meus senhores, minhas senhoras
Estas são as minhas mãos
Os meus joelhos.
Talvez eu seja apenas pele e osso,
Contudo, sou precisamente a mesma mulher.
A primeira vez foi aos dez anos.
Foi um acidente.
Da segunda vez eu quis mesmo
Ir até ao fim e nunca mais regressar.
Voltei fechada
Como uma concha.
Tiveram de me chamar e voltar a chamar
E arrancar de mim os vermes como se pérolas pegajosas.
Morrer
É uma arte, como outra coisa qualquer.
E eu executo-a excepcionalmente bem.
Executo-a de forma a parecer-se com o inferno.
Executo-a de forma a parecer real.
Acho que se podia dizer que tenho um dom.
É bastante fácil executá-la numa cela.
É bastante fácil executá-la e ficar como se nada fosse.
É cena de teatro
Regressar em pleno dia
Ao mesmo lugar, ao mesmo rosto, ao mesmo brutal
E divertido grito:
Um milagre!
Que me põe K.O.
Há que pagar.
Para ver as minhas cicatrizes, há que pagar
Para ouvir o meu coração —
É assim mesmo.
Há que pagar, e pagar bem.
Por uma palavra ou um toque
Ou uma gota de sangue
Ou por um bocado do meu cabelo ou da minha roupa.
Vá lá então, então, Herr Doktor.
Então, Herr Inimigo.
Sou o seu opus,
Sou a sua jóia de estimação,
Um bebé todo em ouro
Que se funde com um grito.
Volto-me e ardo.
Não pense que subestimo as suas grandes preocupações.
Cinza, cinza —
Mexe e atiça.
Carne, osso, nada mais ali existe —
Um pedaço de sabonete,
Uma aliança de casamento,
A coroa em ouro de um dente.
Herr Deus, Herr Lúcifer
Tende cuidado
Muito cuidado.
Renasço das cinzas
Com o meu cabelo fulvo
E devoro homens como faço ao ar.
sylvia plath

7/4/13


7/3/13

estou espectacularmente aborrecida


Eu sempre perguntava coisas tontas,
é certo. Perguntava, por exemplo,
se voltarias a amar-me tanto
como nos dias do amor mais jovem,
ou mesmo mais, ou mesmo mais que nunca,
mesmo mais que a ninguém, e se serias
capaz de confessá-lo ante qualquer.
É certo, perguntava coisas tontas,
não merecia uma resposta séria.
Aquele ser, mais escuro que a noite
mais escura da alma, respondia
sem olhar-me nos olhos: «Nunca mais.»
amalia bautist

7/1/13


Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer - fosse abertura -
E a saudade é tudo ser igual. 
daniel faria