1/18/13
Os meus sentimentos deviam guarda-los, ainda lhe podiam fazer falta, e a
mim não me serviam de nada, devia tê-lo aconselhado a guardar os
sentimentos, nunca sabemos quando precisamos dos sentimentos, da latinha
de fermento que está há anos na despensa, da camisola de lã que não é
vestida há mais de cinco Invernos, nunca se sabe quando precisamos de
coisas mesmo se nunca as utilizamos, não fosse essa incerteza e punha um
anúncio no jornal, vendem-se sentimentos, estado impecável, como novos, oportunidade única, motivo mudança de vida, bom preço
Dulce Maria Cardoso
Dulce Maria Cardoso
1/17/13
1/16/13
Há coisas que nunca
tivemos em crianças e perdem
o valor para sempre. Aquele sempre
dos primeiros dez anos, onde o tempo,
as pessoas, as coisas
parecem enormes e indestrutíveis.
Disfarçar-se de relâmpago
ou de outras coisas impossíveis, comer
todos os chocolates, ter uma bicicleta igual
à do estúpido do vizinho, fazer
as coisas que os adultos escondem
atrás da porta dos quartos, retribuir
a bofetada aos nossos
legítimos superiores, querer
morder com justa causa
tanta gente no mundo e
só poder no escuro
morder uma almofada.
Inês Lourenço
tivemos em crianças e perdem
o valor para sempre. Aquele sempre
dos primeiros dez anos, onde o tempo,
as pessoas, as coisas
parecem enormes e indestrutíveis.
Disfarçar-se de relâmpago
ou de outras coisas impossíveis, comer
todos os chocolates, ter uma bicicleta igual
à do estúpido do vizinho, fazer
as coisas que os adultos escondem
atrás da porta dos quartos, retribuir
a bofetada aos nossos
legítimos superiores, querer
morder com justa causa
tanta gente no mundo e
só poder no escuro
morder uma almofada.
Inês Lourenço
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