10/14/12
10/1/12
O riso exige
em primeiro lugar sinceridade, mas onde está a sinceridade das pessoas?
O riso exige a ausência de maldade, mas as pessoas, na maioria dos
casos, riem com maldade. Um riso sincero e sem maldade é uma pura
alegria, mas, nos tempos que correm, onde está a alegria? E poderão as
pessoas ser alegres?
A alegria é um dos mais reveladores traços humanos, basta a alegria para revelar as pessoas dos pés à cabeça. Por vezes não há meio de percebermos o carácter de uma pessoa, mas basta ela rir para lhe conhecermos o feitio como às palmas das nossas mãos. Só as pessoas desenvolvidas do modo mais elevado e feliz sabem ser contagiosamente alegres, de uma maneira irresistível e benévola. Não falo de desenvolvimento intelectual, mas de carácter, do homem como um todo. Portanto: se quiserdes compreender uma pessoa e conhecer-lhe a alma não presteis atenção à sua maneira de se calar, ou de falar, ou de chorar, ou de se emocionar com as ideias mais nobres, olhai antes para ela quando se ri. Ri-se bem - é boa pessoa.
A alegria é um dos mais reveladores traços humanos, basta a alegria para revelar as pessoas dos pés à cabeça. Por vezes não há meio de percebermos o carácter de uma pessoa, mas basta ela rir para lhe conhecermos o feitio como às palmas das nossas mãos. Só as pessoas desenvolvidas do modo mais elevado e feliz sabem ser contagiosamente alegres, de uma maneira irresistível e benévola. Não falo de desenvolvimento intelectual, mas de carácter, do homem como um todo. Portanto: se quiserdes compreender uma pessoa e conhecer-lhe a alma não presteis atenção à sua maneira de se calar, ou de falar, ou de chorar, ou de se emocionar com as ideias mais nobres, olhai antes para ela quando se ri. Ri-se bem - é boa pessoa.
Observai
depois todos os matizes: por exemplo, é preciso que o riso não pareça
estúpido, por mais alegre e ingénuo que seja. Mal detecteis a mais
pequena nota de estupidez num riso, ficai sabendo que a pessoa que
assim ri é intelectualmente limitada, apesar de deitar cá para fora um
sem-fim de ideias. Mesmo que o riso não seja estúpido, se vos parecer
ridículo, nem que seja um pouquinho, ficai sabendo que não há na pessoa
que o ri uma verdadeira dignidade, pelo menos uma dignidade
suficiente. Por último, notai que, mesmo que um riso seja contagioso
mas por qualquer razão vos pareça vulgar, também a natureza dessa
pessoa é vulgar, que toda a nobreza e espírito sublime que tínheis
visto nela ou são fingidos ou imitados inconscientemente, e que essa
pessoa, no futuro, mudará inevitavelmente para pior, dedicar-se-á ao
«útil», abandonando sem pena as ideias nobres como sendo erros e
paixões da juventude. Fiódor Dostoiévski
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