11/8/18

Não quero morrer não quero
Apodrecer no poema
Que o cadáver das minhas tardes
Não venha feder em tua manhã feliz
                               E o lume
Que tua boca acenda acaso das palavras
– ainda que nascido da morte –
some-se
                               aos outros fogos do dia
aos barulhos da casa e da avenida
                               no presente veloz
Nada que se pareça
a pássaro empalhado múmia
de flor
dentro do livro
               e o que da noite volte
volte em chamas
                ou em chaga
                vertiginosamente como o jasmim
que num lampejo só
ilumina a cidade inteira
ferreira gullar

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