11/16/17

Passaram-se 17 anos.  Mas a morte não é isto.

como o teu corpo se encoscorava junto ao meu, aninhado como um bicho-de-seda – e bastaria estares ali, não haveria palavra alguma que fosse necessário proferir, pois tu foste sempre a palavra mais dourada, a palavra primordial, a palavra única que constava do meu dicionário, e cujo léxico rico se arvorava, ramificando-se em sentidos múltiplos e complexos. Os teus ombros sustentavam o mundo

Eu passava muitas noites acordada
a sonhar a suspirar a escrever a ler a admirar-te em silêncio a pensar em amotinar-me contra o mundo a rever Bergman a reler al berto a indignar-me com a estultícia das pessoas
a emocionar-me a tentar emocionar-me a tentar emocionar-te a tentar
mas estás morto

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