5/15/13



  
O teu espírito e tu são o nosso mar dos Sargaços,
Londres passou rápida por ti durante todo este tempo
E barcos brilhantes deixaram-te isto ou aquilo em paga:
Ideias, velhos mexericos, restos banias de tudo,
Estranhos mastros de sabedoria e baças mercadorias de valor.
Grandes espíritos te procuraram - à falta de outrem.
Sempre ficaste em segundo lugar. Trágico?
Não. Preferias isso ao costumeiro:
Um só homem insípido, babado e embotante,
Um espírito mediano, com um pensamento a menos cada ano.
Oh, tu és paciente, tenho-te visto sentada
Durante horas, onde algo poderia ter vindo à superfície,
E agora pagas. Sim, pagas muito bem.
Tu és uma pessoa com algum interesse, quem te procura
Retira um estranho lucro:
Troféus recuperados do mar; uma qualquer sugestão curiosa;
Factos que a nada conduzem; e uma história ou duas,
Prenhes de mandrágoras ou de qualquer outra coisa
Que podia vir a ser útil, e, contudo, nunca o é,
Que nunca se arruma a um canto nem mostra utilidade,
Nem vê chegar a sua hora no tear dos dias.
Antigas coisas sem brilho, vistosas, admiráveis;
Ídolos e âmbar pardo e raros embutidos,
São estes os teus bens, a tua grande riqueza; e contudo,
Apesar de todo este tesouro marinho de objectos caducos,
Estranhas madeiras meio molhadas e novas bugigangas mais
                                                                               [ berrantes,
No lento boiar de diferente profundidade e luz,
Não! Não há nada! No conjunto de tudo,
Nada que seja propriamente teu.
                 Contudo, isto és tu.
ezra pound

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