Os cães dormem
finissimamente. Vejo-os resumidos em torno do chão, peneirando serenos as
dunas do sono. Já eu, reproduzo a insónia de uma forma quase fabril: de hora
em hora, de noite em noite. É a metalurgia de algo que não funde, eu e a
fornalha das minhas burlas, dos meus prejuízos. Entendo que cada homem,
superando o receio da excomunhão, devolverá o seu corpo à indiscrição. Corpo
no mundo como rusga. Revirar tudo, farejar como os cães a flor absurda do
prazer.
vasco gato
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