Antigamente havia em mim um nome gravado a fogo e eu
morria por ele. Eu fechava os olhos e o nome pedia-me a luz,
a manhã, a música. Antigamente eu imaginava a
delicadeza,
as florestas, os bosques reduzidos ao silêncio pelos
subterrâneos
da tarde, e ser tocado no rosto era ser ferido por uma
imensa
beleza, pelos olhos da planície, como um animal adormecido,
como um lugar onde deitar a cabeça e adormecer sonhando
com o deserto. No deserto eu estava a salvo, caminhando
nos
declives, e havia palavras imensas, palavras como trigo e o
mar
e as raízes e os relâmpagos e um rosto e os campos de Outono
e isso era como ficar cego no meio da luz
estremecendo entre
as poeiras, as cores da manhã, as veredas dos bosques.
E eu olho
fixamente esse rosto de fogo, toco uma vez essas mãos, amo
demoradamente a distância, comovo-me perdidamente na sua
voz, enquanto passa no mundo uma estranha ventania.
Francisco José Viegas
morria por ele. Eu fechava os olhos e o nome pedia-me a luz,
a manhã, a música. Antigamente eu imaginava a
delicadeza,
as florestas, os bosques reduzidos ao silêncio pelos
subterrâneos
da tarde, e ser tocado no rosto era ser ferido por uma
imensa
beleza, pelos olhos da planície, como um animal adormecido,
como um lugar onde deitar a cabeça e adormecer sonhando
com o deserto. No deserto eu estava a salvo, caminhando
nos
declives, e havia palavras imensas, palavras como trigo e o
mar
e as raízes e os relâmpagos e um rosto e os campos de Outono
e isso era como ficar cego no meio da luz
estremecendo entre
as poeiras, as cores da manhã, as veredas dos bosques.
E eu olho
fixamente esse rosto de fogo, toco uma vez essas mãos, amo
demoradamente a distância, comovo-me perdidamente na sua
voz, enquanto passa no mundo uma estranha ventania.
Francisco José Viegas
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