7/15/12

Antigamente havia em mim um nome gravado a fogo e eu
morria por ele. Eu fechava os olhos e o nome pedia-me a luz,

a manhã, a música. Antigamente eu imaginava a 

delicadeza,

as florestas, os bosques reduzidos ao silêncio pelos

subterrâneos


da tarde, e ser tocado no rosto era ser ferido por uma

imensa

beleza, pelos olhos da planície, como um animal adormecido,

como um lugar onde deitar a cabeça e adormecer sonhando

com o deserto. No deserto eu estava a salvo, caminhando

nos


declives, e havia palavras imensas, palavras como trigo e o

mar

e as raízes e os relâmpagos e um rosto e os campos de Outono

e isso era como ficar cego no meio da luz

estremecendo entre

as poeiras, as cores da manhã, as veredas dos bosques.

E eu olho


fixamente esse rosto de fogo, toco uma vez essas mãos, amo

demoradamente a distância, comovo-me perdidamente na sua

voz, enquanto passa no mundo uma estranha ventania.




Francisco José Viegas

No comments:

Post a Comment