11/29/11

aqui não há ninguém

o quarto é um pedaço de espelho
com uma mulher a um canto

nada mais do que um reflexo

em vez de corpos, feridas
refúgios para encher vazios

para os traduzir uso o vento
saem versões confusas onde
o corpo e os cigarros a morrer
no cinzeiro
precisam de palavras novas

ela senta-se no meio do quarto

como se todas as palavras fossem
restos de vida


Maria Sousa

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