10/21/11

a vida interior da sombra

Fujo da sombra; cerro os olhos: não há nada. 
A minha vida nem consente 
rumor de gente 
na praia desolada. 

Apenas decisão de esquecimento: 
mas só neste momento eu a descubro 
como a um fruto rubro 
de que, sem já sabê-lo, me sustento. 

E do Sol amarelo que há no céu 
somente sei que me queimou a pele. 
Juro: nem dei por ele 
quando nasceu. 

Praia do Esquecimento | David Mourão-Ferreira

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