Insónia roxa. A luz a virgular-se em medo, Luz morta de luar, mais Alma do que lua... Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua, Alastra-se para mim num espasmo de segredo... Tudo é capricho ao seu redor, em sombras fátuas... O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou... Tenho frio... Alabastro! A minha´alma parou... E o seu corpo resvala a projectar estátuas... Ela chama-me em Íris. Nimba-se a perder-me, Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebranto... Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me: Mordoura-se a chorar - há sexos no seu pranto... Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me Na boca imperial que humanizou um Santo...
Mário de Sá-Carneiro

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