setembro vai morrendo devagar para lá do parapeito. eu respiro dentro de uma cidade cinzenta debaixo de um céu que arde, persigo as raízes dos dias num vazio que caminha em espaços vivos e o meu coração procura o estio prometido nas palavras. tenho segredos remetidos a ti. as minhas lágrimas são locais de olhar cativo e eu vou despindo-me de ruídos e das ervas que cresceram na minha boca. pesam-me todos os gestos, os mil, que dormem dentro dos meus braços e o voo dos pássaros que desaparecem por detrás das pálpebras empapadas em sono. imagino sempre que me ouves à distância, que segues o fio ténue e brilhante que deixo a rebolar no ar. que te vais desviar da minha petulância aveludada, que uso para não me capitular em desejo e perfilas secretamente as minhas espirais brancas. então murmurarás qualquer coisa imperceptível, num pequeno círculo a fluir retesado em torno de mim, qualquer coisa que me venha tocar levemente, o suficiente para me despertar a insónia.
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