Um dia a porta abre-se para os aposentos do amante.
O quarto converteu-se num denso jardim,
cheio de cores, odores, sons que não conhecias.
A cama, lisa como uma obreia de sol, só no meio do jardim
na cama com os amantes, lenta, deliberadamente e em silêncio,
realizam o acto do amor.
Os olhos cerrados,
apertados como se tivessem pesadas moedas de carne sobre eles.
Os seus lábios magoados, com novas e velhas pisaduras.
O cabelo e a barba desesperadamente enredados.
Quando ele põe a sua boca no seu ombro
ela duvida que seja o seu ombro
o que deu ou recebeu o beijo.
Toda a sua carne é como uma boca.
Ele desliza os dedos pela sua cintura
e sente a própria cintura acariciada.
Ela abraça-o mais estreitamente e os seus braços cingem-se
em redor dela.
Ela beija a mão junto da sua boca.
Que seja a mão dele ou dela, pouco importa,
há muitos mais beijos.
Estás junto da cama, chorando de felicidade,
cuidadosamente retiras os lençóis
dos corpos em lento movimento.
Os teus olhos estão cheios de lágrimas, mal distingues os
amantes.
Cantas enquanto te despes, e a tua voz é magnífica
porque agora acreditas que é a primeira voz humana que se
ouve neste quarto.
A roupa que deixas cair, transforma-se em parras.
Sobes para a cama e recuperas a carne.
Fechas os olhos e deixas que se fechem cosidos.
Provocas um abraço e cais nele.
Há só um momento de dor e de dúvida
quando te perguntas quantas multidões estão deitadas junto
do teu corpo,
mas uma boca beija e uma mão afasta esse momento.
Leonard Cohen
O quarto converteu-se num denso jardim,
cheio de cores, odores, sons que não conhecias.
A cama, lisa como uma obreia de sol, só no meio do jardim
na cama com os amantes, lenta, deliberadamente e em silêncio,
realizam o acto do amor.
Os olhos cerrados,
apertados como se tivessem pesadas moedas de carne sobre eles.
Os seus lábios magoados, com novas e velhas pisaduras.
O cabelo e a barba desesperadamente enredados.
Quando ele põe a sua boca no seu ombro
ela duvida que seja o seu ombro
o que deu ou recebeu o beijo.
Toda a sua carne é como uma boca.
Ele desliza os dedos pela sua cintura
e sente a própria cintura acariciada.
Ela abraça-o mais estreitamente e os seus braços cingem-se
em redor dela.
Ela beija a mão junto da sua boca.
Que seja a mão dele ou dela, pouco importa,
há muitos mais beijos.
Estás junto da cama, chorando de felicidade,
cuidadosamente retiras os lençóis
dos corpos em lento movimento.
Os teus olhos estão cheios de lágrimas, mal distingues os
amantes.
Cantas enquanto te despes, e a tua voz é magnífica
porque agora acreditas que é a primeira voz humana que se
ouve neste quarto.
A roupa que deixas cair, transforma-se em parras.
Sobes para a cama e recuperas a carne.
Fechas os olhos e deixas que se fechem cosidos.
Provocas um abraço e cais nele.
Há só um momento de dor e de dúvida
quando te perguntas quantas multidões estão deitadas junto
do teu corpo,
mas uma boca beija e uma mão afasta esse momento.
Leonard Cohen

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