É simples a separação.
Adeus.
Desenlaçado o último abraço, uma pressa de dar costas um ao outro.
Já não há gestos.O derradeiro (impossível) seria nao desfazer o abraço.
Pressa de cada um retomar o outro na teia da remembrança.
Nao desfazer o abraço. Ficar face encostada ao niagara dos cabelos.
Sobram as fotografias, voz no gravador, um bilhete na caixa do correio.
Sobra o telefone.
No gravador , voz de ontem , de anteontem. De há anos.
Sobra o telefone. Mudo.
Retininte?
Sobrarão as cartas. Sobre a espera.
Na teia lenta da remembrança, retomo-te em memória recente: na praia de ternura onde nos enrolámos e desenrolámos desesperados de separação.
Sobra a separação.
Alexandre O'Neill.
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